Palavra do Ministro: Breve reflexão em Mateus 5.3-12

por dez 9, 2010Notícias0 Comentários

Por um posicionamento da Igreja
Breve reflexão em Mateus 5.3-12

O farisaísmo é sinônimo de hipocrisia religiosa, isso até os não cristãos sabem! Mas gostaria de enfatizar o aspecto social, da prática religiosa, dos profissionais da fé da época, com os quais Jesus teve não poucas e duras confrontações.

Jesus se posicionou ao optar pelo ser humano e dentre esses, de modo especial, pelos fracos, desamparados, pobres e sofredor. Essa justificativa era de que o Seu Reino seria um tipo de compensação eterna pela exploração temporária. As bem-aventuranças têm como alvo os não privilegiados do mundo presente, garantindo benefícios intermináveis aos torturados pelos sistemas. Tanto no âmbito material, social, emocional e espiritual, a graça parece abraçar todos os desgraçados e os que manifestam amor pela escória pecaminosa, pelos neuróticos desestruturados, pela plebe rejeitada e pelos desprovidos de capacitação para o sucesso e a conquista.

Jesus endureceu ternamente com os poderosos, com os sábios seculares, com os dominadores, com as potências econômicas subornadoras e manipuladoras da justiça.

Esse posicionamento lhe gerou grandes inimigos religiosos, políticos e sociais. Todos os que viram seu status ameaçado reagiram com fúria. Já tinham caçado e eliminado João, o ‘‘Batista’’. Ele que era como a voz que clamava no deserto: deserto da espiritualidade verdadeira; deserto da justiça social e da exploração sem misericórdia. João abalara a zona de conforto da elite dominante. Ele os fez olhar no espelho da realidade e perceberem suas máscaras protetoras, porém, desconfortáveis. Eles não gostaram do que viram refletido nos olhos do profeta. Tanto tempo havia passado, que não percebiam mais o disfarce de suas próprias almas, suas heranças morais transformaram-se em meros legalismos a sustentarem dissimuladamente suas posições de julgadores e carrascos.

Os fariseus defendiam suas convicções com tamanha vontade, que passaram a acreditar em suas próprias verdades construídas com alvos  benefícios egoístas. E, para manter as regalias, a melhor estratégia é manter novos concorrentes sem chances da escalada de classe. A garantia de ficar por cima é manter os demais por baixo.

Quando parecia que a ameaça “Batista” (João) tinha passado, surge alguém mais incômodo ainda. Jesus não se limita em denunciar o erro praticado, vai fundo no pecado da omissão e proclama abertamente a paz e o bem que se deve vivenciar. Jesus, não só denuncia a hipocrisia dos religiosos, arranca as máscaras e expõe a nudez das motivações egoístas; a leviandade do preconceito genético e genérico; o orgulho, fruto do complexo doentio de superioridade; a vaidade que persegue os primeiros lugares e o exclusivismo sedento dos elogios, e das bajulações dos medíocres.

Jesus vai além, Ele se posiciona como pessoa e posiciona o ministério de seu Reino. Seu idealismo era inegociável, seus valores sem arranjos e sua ética sem “jeitinhos”. Ele não se coloca contra a elite, mas opta pelos miseráveis; não se revolta com os religiosos, mas ministra aos desgarrados e desviados; não despreza os inteligentes e saudáveis, mas se dedica aos incautos e enfermos; não repudia os bem-sucedidos, mas chama para si os desprezados, cansados e oprimidos; não considera inimigos os poderosos e as autoridades, mas estabelece um Reino paralelo que não pertence a este mundo, de onde se propõe resgatar vidas para as bem-aventuranças.

Concluindo: a qual grupo pertencemos?  Em qual Reino militamos?  Quais armas usamos? Qual nosso posicionamento nas bem-aventuranças?

Vivemos neste mundo sem pertencer a ele, assim como Jesus viveu e, sem assumir nenhum poder secular institucional, foi protagonista da maior mudança espiritual e social jamais vista. Sem promover nenhuma oposição articulada, seus ensinos transformaram a política de governos e impérios.

Estigmatizado de “amigo de pecadores”, foi o que mais teve acesso aos corações dos marginalizados. Dos fariseus os pecadores se desviavam, mas eram atraídos por Jesus e Dele se aproximavam. Algumas igrejas, aquelas para os quais as bem-aventuranças parecem não significar muita coisa, afastam os miseráveis, os pobres e oprimidos. Não precisamos de uma igreja com força social nem com poder político ou politiqueiro. Precisamos entregar a Jesus nossas vidas, crenças e vontades, e principalmente nossas igrejas.

Carinhosamente,

Pr. Ramão Borba Moreira
Ministro de Relacionamento e Expansão

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