Entrevista: Pr. Mauro Clementino

por out 2, 2014Notícias0 Comentários


O BATISTA: Em de novembro de 2013 em assembleia extraordinária a CBSM aprovou “adoção de modelos eclesiásticos para orientação às igrejas filiadas, viabilizando parcerias com a Associação MDA e com a REDE INSPIRE, com a finalidade de especializar-se, oferecer treinamento e materiais a custos diferenciados para as igrejas que desejarem adotar os referidos modelos, a saber: Células, MDA e Propósitos”. Como o senhor entende que essa medida poderá beneficiar as igrejas batistas do nosso Estado?

PR. MAURO: De fato, nem precisava a CMSM ter feito isto como Convenção. Mas em tendo feito isto, deu seu aval, respaldou e norteou o caminho para as igrejas batistas do MS. Por sermos uma igreja histórica, em geral nossos pastores e igrejas são muito desconfiados, principalmente pelo receio de heresias, usos e costumes, enfim. Mas o aval da CBSM tirou qualquer resquício de dúvida do uso das ferramentas ora utilizadas em nosso Estado.


O BATISTA
: A Terceira Igreja Batista de Campo Grande já adota a Visão do MDA? Em caso positivo, quantas células existem atualmente na Igreja e quantas pessoas estão envolvidas nesse processo?

PR. MAURO: Certo. Você me fez três perguntas de uma só vez. Vamos por partes: Sim. Adotamos a nomenclatura “Pequenos Grupos”. Depois de anos em oração e esperar em Deus buscando a “liga” que tanto sentíamos falta, decidimos participar da 1ª Conferência MDA na PIB em Junho/2013. Ali vimos o que era que tanto queríamos. De junho a Novembro passamos a nos reunir como ministros assistindo aos vídeos, lendo livros e fazendo dinâmicas. Convidamos as lideranças da nossa igreja para vir assistir aos DVD´sàs segundas-feiras à noite. O laboratório com os ministros e depois com os líderes foi fantástico e todo mundo queria que tudo acontecesse logo. Logo depois da primeira Conferência MDA-MS, um dos nossos ministros foi à Marília participar da imersão. Em seguida eu fui a Santarém ver in loco esta fenomenologia. Criamos o Pequeno Grupo Protótipo em Setembro e foi até Dezembro de 2013. No dia 28 de Janeiro de 2014 tivemos o primeiro TADEL e já naquela primeira fase os primeiros 23 grupos funcionaram. Tivemos a primeira multiplicação no final de Abril, e aí então começamos firme no MDA. Nosso Discipulado Um a Um está hoje na terceira geração. Com os ajustes feitos hoje estamos funcionando com 45 Pequenos Grupos.  Hoje além de todos os ministros já terem feito a imersão e estão plenamente conscientes da visão, muitos dos nossos líderes participaram das duas Conferências MDA-MS e agora em Outubro estaremos indo com uma Caravana de 40 pessoas para Santarém participar da Conferência MDA e Escola de Discipuladores com Deus lá com eles.


O BATISTA
: Quais os resultados colhidos até o momento com a implantação dos Pequenos Grupos e quais as expectativas da liderança para os próximos meses?

PR. MAURO: Esta resposta é longa, mas vou procurar resumi-la. Como disso no início, nossa busca estava em achar a “liga” como igreja. Particularmente eu estava farto de cursos e clínicas de “Crescimento de Igrejas” onde só víamos e estudávamos sobre dados, estatísticas técnicas e táticas em como fazer a igreja crescer. Queria achar a liga que segura às pessoas umas às outras. Sentia que havíamos perdido isso e precisávamos encontrá-la. Conhecendo as ferramentas “Pequenos Grupos e MDA” vi o resgate disto e o retorno às origens do Cristianismo: 1) Simplicidade do Evangelho; 2) Oração sendo levada a sério no dia a dia e não como “campanhas e jornadas”; 3) Caráter cristão sendo de fato trabalho no discipulado um a um, uma vez por semana no encontro discipulador/discípulo. Meus conceitos mudaram: Vi que por 31 anos de pastorado, o que eu aprendi e ensinava como Discipulado era de fato Evangelismo, o que eu aprendi e ensinava como sendo evangelismo era panfletagem. E isto, Casas Pernambucanas, Riachuelo, Casas Bahia e outras fazem bem melhor que nós, e não fomos chamados para isso. Saímos de um grupo reduzido que variava entre 20, 30, 50 a 70 pessoas nas quartas-feiras (isso quando tínhamos campanhas de jejuns e orações), agora temos em torno de 450 pessoas se reunindo nas casas espalhadas em vários lugares da nossa cidade em 45 Pequenos Grupos. Isso é tremendo. Nos meus dois ministérios anteriores, por falta de maturidade e excesso de religiosidade, trouxe o assunto “Culto de quarta-feira” para ser discutido em assembleia, pois via que a membrezia da igreja não participava, embora a desculpa sempre fosse estudo, trabalho, enfim. Nas duas experiências o resultado e o discurso foram o mesmo: “o culto de quarta-feira é a coluna dorsal de uma igreja batista; o culto de quarta-feira mede a espiritualidade da igreja; o culto de quarta-feira é o cerne da igreja; o culto de quarta-feira é o culto mais importante da igreja, e blá, blá, blá”. Mas os dias passaram e o culto de quarta-feira continuava com as mesmas pessoas… Alguma coisa estava errada ou fora de foco e isto me agonizou por anos a fio. De repente me vi tendo que enfrentar esta situação de novo. Só que agora existia algo diferente. Existia uma nova proposta. Existia uma ferramenta de peso. Como ministros havíamos concordado em manter as duas estruturas até que toda a igreja estivesse envolvida tanto nos Pequenos Grupos quanto no MDA. Mas não precisamos gastar muito tempo. Logo, os irmãos envolvidos no processo, que passaram a vir no TADEL (Treinamento Avançado em Liderança) e estavam dirigindo os Pequenos Grupos me perguntaram se precisavam também vir na quarta-feira, pois estariam assim usando três noites por semana. A resposta foi óbvia. Como pastor, vejo a mudança de consistência até nos cultos. Há uma participação maior, um envolvimento maior com Deus. Através dos Pequenos Grupos as pessoas estão se conhecendo mais, se envolvendo mais umas com as outras. Tem mais decisões com Cristo lá no Pequeno Grupo que nos cultos no templo. Tudo que fazíamos de forma centralizada hoje está sendo feito de forma multiplicada nos Pequenos Grupos. E em setembro, mais precisamente no dia 28, vamos festar a segunda multiplicação de 2014. E isto é só o começo. DEPOIS DE TRINTA E UM ANOS DE MINISTÉRIO PASTORAL É MUITO, MUITO BOM ZERAR E COMEÇAR TUDO DE NOVO… Retirei todos os meus quadros de diplomas, cursos de treinamentos, doutorados, pós-graduações nacionais e internacionais e coloquei-os na parte de baixo da minha estante. Hoje, meu foco e minha alegria estão centralizados em Jesus, minha família, nos Pequenos Grupos e no Discipulado Um a Um.


O BATISTA
: O senhor entende que implantar a Visão do MDA é abandonar a zona de conforto (já ouvimos pastores citar que MDA significa Meu Descanso Acabou)?

PR. MAURO: Certamente que sim. Assim como o envolvimento com Encontro de Casais, quem se envolve com Pequenos Grupos e Discipulado Um a Um não vai encontrar moleza não. Ao menos em sua fase de implantação. Desde Junho de 2013 não sei o que são férias, nem tenho conseguido tirar um dia inteiro de descanso, além de trabalhar manhã, tarde e noite. Mas também sei que esta fase de implantação é assim e que depois as coisas correrão com normalidade. Não esquecendo também que estamos em TRANSIÇÃO.


O BATISTA
: A formação de novos líderes tem sido um problema na igreja moderna. O senhor entende que as células podem ser uma boa oportunidade para esse processo de formação?

PR. MAURO: Não apenas podem ser, é o local apropriado para isso. No Pequeno Grupo em si, pelas várias oportunidades que ele permite detectamos o líder e ali ele (ela) é moldado para o serviço. À distância e de forma centralizadora o reconhecimento deste líder era feito na maioria das vezes apenas pelo carisma e pelo discurso do mesmo. Ele dizia, se acreditava nele, o enchia de técnicas, metodologias e principalmente o comprometia com as metas denominacionais e ele estava pronto. Logo em seguida víamos explodir os problemas de caráter… Não estou dizendo com isto que estas ferramentas são perfeitas. Mas com certeza são em si mesmas um grande filtro para se evitar muitos erros outrora cometidos.


O BATISTA
: A implantação do modelo de células pode ser o meio mais eficaz para o crescimento sadio da igreja da atualidade? E a questão células x ministérios: o senhor acredita que possa haver uma convivência pacífica?

PR. MAURO: Para suas duas perguntas a resposta é sim, sim, sim. Todavia quero deixar claro que minha principalmente preocupação é com a “liga” da igreja, com o “purê de batatas X Saco de batatas”. Como já disse acima: temos muito mais resultados práticos hoje em decisões por Cristo lá nos Pequenos Grupos que nos cultos no templo. E é isso mesmo que tem que ser.  A verdadeira pescaria, limpeza (libertação) e prontidão devem acontecer lá no coração do Pequeno Grupo. Quando todos se juntam é para o Culto da Celebração do nosso Grande Deus. Também não vejo conflito entre as ações, pelo contrário. Através de pessoas muito bem amadas, que estão desejosas em aplicar a Palavra de Deus nos Pequenos Grupos os ministérios são vão crescer e se multiplicar. Há um engajamento natural nisso.


O BATISTA
: Como o senhor analisa a implantação de um curso (Curso de Formação Ministerial com ênfase em Células/Pg´s e Discipulado) no Seminário Batista destinado a preparar líderes nesse campo?

PR. MAURO: Acredito que, em fazendo assim, o Seminário vem ao encontro das necessidades reais das igrejas oferecendo-lhes o treinamento nas ferramentas que elas tanto precisam de fato. O seminário deixa o distanciamento ambíguo, frio, indiferente e se aproxima, sente o calor e a necessidade de uma igreja local. O que eu posso dizer? Até que enfim isto volta a acontecer. Certamente que ele (Seminário) vai receber muito mais respaldo e respeito delas (igrejas) pois ambas as partes estão falando a mesma língua.


O BATISTA
: O senhor acredita que algumas dificuldades com modelos tipo G 12, M12 e outros de certa forma não deixaram a nomenclatura célula desgastada?

PR. MAURO: Claro que sim. Na minha experiência, um dos pontos na demora que tivemos para este engajamento foi exatamente isto. Vários irmãos e irmãs oriundos destes e de outros movimentos e que foram feridos, machucados por pessoas e processos equivocados não admitiam (e outros ainda não admitem) que utilizemos estas ferramentas dizendo ser a mesma coisa e que já sabem onde isto vai dar. E isto também me feliz relutar por muito tempo em oração e estudos para ter isto muito claro para mim mesmo primeiro para então levar aos meus ministros, liderança e igreja. Hoje estou plenamente convicto das diferenças, bem como estou convicto que estamos no caminho certo.


CONSIDERAÇÕES FINAIS


PR. MAURO
: Quando eu vejo Pr. Fidélis Miranda e irmã Eunice sua esposa engajados nesta visão, usando estas ferramentas eu digo: “Meu Deus, que maravilha!” Pr. Fidélis é o Pastor Emérito da Terceira Igreja Batista em Campo Grande-MS. Recentemente ele completou 87 anos de idade. Completaram também 66 anos de casados e 52 anos de vida ministerial. Será que eles não entendem nada da vida, de ministério? Quantas mudanças eles já testemunharam? Quantas pessoas, pastores e igrejas eles já viram subir e descer? Emocionou-me profundamente quando este casal que veio participar das reuniões quando eu passava a visão destas ferramentas para a liderança nas segundas-feiras à noite, numa destas noites me disse à porta do templo: “Pastor, pode contar conosco que estamos juntos nesta também e queremos um Pequeno Grupo em nossa casa”. Gente, eu teria voado às maiorias alturas se tivesse asas. Além da mão poderosa de Deus te guiando, você precisa de maior respaldo que esse? Este casal não precisa trabalhar nem demostrar serviço para mostrar e nem provar nada. Pr. Fidélis e irmã Eunice trabalharam muito em suas vidas.  Mas eles vibram com estas ferramentas como se fossem ainda adolescentes, mas com a experiência de quem sabe para aonde Deus está apontando. É simplesmente maravilhoso!

Vejo muitos pastores sofrendo porque aqui e acolá estão sendo freados por “lideranças” locais que não querem, lutam contra e passam a mirar a pessoa do pastor por causa destas ferramentas.  Em primeiro lugar, nada deve ser imposto. Creio muito no poder da oração e do jejum para se descobrir os caminhos de Deus. Tenho visto também que quando esta luta acontece em uma igreja local quem perde é o Reino, pois se a igreja local não quer obedecer, cedo ou tarde ele perderá seu pastor e ele fará as realizações de Deus com aqueles que são ensináveis.

Anderson Solano

Anderson Solano

Publicitário, chefe do departamento de comunicação social e gestor de TI.

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