Pastor relata visita ao Haiti

por fev 17, 2010Notícias0 Comentários

 

Pastor relata visita ao Haiti

Qui, 11 de Fevereiro de 2010 13:09 

O pastor Mayrinkellison Wanderley, que atua como coordenador da Junta de Missões Mundiais (JMM), esteve no Haiti no início de fevereiro para avaliar a situação do país após a destruição causada pelo terremoto que atingiu o país no dia 12 de janeiro.

Leia o comovente relato deste pastor, que testemunhou toda a carência do povo haitiano e os desafios e os livramentos dos obreiros da terra.

“Eu e os pastores Aílton Desidério, da Primeira Igreja Batista em Lins de Vasconcelos (RJ), e Paulo Albuquerque, da Igreja Batista Memorial de Duque de Caxias (RJ) e Segunda Igreja Batista em Rio Bonito (RJ), desembarcamos na República Dominicana no dia 2 de fevereiro e fomos recebidos pelo pastor Jorge Tejada, missionário dos batistas brasileiros que atua no país. Ele nos levou à sede da Convenção Batista Dominicana (CBD), onde ficamos hospedados. À noite tivemos uma reunião com o irmão Carlos Llambes, missionário natural de Cuba que coordena um ministério da CBD entre os haitianos. Uma frase que nos chamou a atenção foi: “Deus está usando essa situação no Haiti para unir dois povos que, embora dividam uma mesma ilha, são historicamente hostis um ao outro”.

No dia seguinte partimos rumo ao Haiti. Em Pétion-Ville, distrito de Porto Príncipe, nos esperavam o casal Jonathan e Alexandra Joseph, nossos missionários da terra haitianos que coordenam o trabalho da Associação das Igrejas Batistas do Haiti para a Missão Integral (AEBHMI). Fomos diretamente à Methodist Guest House (Casa de visitantes metodista), onde ficamos hospedados até o dia 10, uma verdadeira ilha de concreto firme e incólume em meio às paredes e muros das casas vizinhas derrubadas pelo terremoto de 12 de janeiro.

Em nosso primeiro dia de trabalho no Haiti (4 de fevereiro), tivemos uma reunião prévia com o pastor Jonathan e sua esposa, que expressou sua alegria e gratidão à JMM pela solidariedade demostrada em enviar seus representantes nesse momento. Igualmente, falou-nos dos desafios que se apresentam após o terremoto e formas de ajudarmos. Também expressou sua opinião sobre as iniciativas das várias igrejas e organizações internacionais nesse primeiro momento pós-tragédia, sugerindo medidas posteriores para a reconstrução do país rumo a um novo momento. Concordou com o nome profético do projeto “Por um Novo Haiti”, dizendo que não imaginava que o novo Haiti teria de ser construído a partir de sua destruição. Reafirmou que, embora pudesse sair do país nesse momento, Deus lhes deu a certeza de que estão ali para confortar e ajudar seu povo a reencontrar o caminho do progresso e da submissão a Deus, única forma de se construir, de fato, um novo Haiti.

Andando por Porto Príncipe pudemos ver o estrago que o terremoto causou no Haiti. O palácio do Governo, os vários prédios dos ministérios, a prefeitura, o correio central, o palácio da Justiça, o parlamento, casas, hospitais, tudo em ruínas. Em consequência disso, tendas espalhadas nas praças e espaços públicos. Certamente, sob esses escombros há muitos corpos que não foram retirados. O Governo confirmou mais de 200 mil mortos. E muita gente ainda está desaparecida.

Entretanto, a maior tristeza foi visitar a comunidade de Trou-Sable. Pessoalmente, a dor foi de lembrar de como era aquela favela, com crianças correndo para todo lado, bandeira do Brasil nas paredes e uma igreja vibrando, onde preguei pela primeira vez no Haiti. A cena era digna de um filme apocalíptico produzido por Hollywood. Casas derrubadas, nossa igreja batista completamente destruída. Segundo os flagelados, nenhuma ajuda chegou até agora. Várias famílias da igreja estão ali também. Quem não teve lugar em Trou-Sable para ficar, foi embora para outras praças da cidade ou para o interior, na casa de algum parente ou por medo de novos tremores.

Não menos comovente foi ver meu amigo pastor Joanès Dessouce, nosso missionário da terra, desolado, nos contando da dor de ver sua comunidade dispersa. Sua família de quatro filhos não sofreu danos físicos, mas sua esposa ainda não está recuperada dos traumas. Perguntado sobre o que fazer, ele respondeu cabisbaixo e lacônico: “Vamos procurar um outro lugar para iniciar uma nova igreja”. De fato, não há o que aproveitar de Trou-Sable.

Também não foi fácil ouvir do pastor Berthony Denaud, nosso missionário da terra que morava em Trou-Sable antes do sismo. Ele conta que, na hora do tremor, estava no seminário. Imediatamente foi para casa e, ao chegar, a viu em ruínas. Chorava e buscava pela sua esposa e filhos. Seus vizinhos diziam: “Não adianta procurar por eles. Já estão perdidos!”.

Então conta que a primeira imagem que viu da sua casa foi sua Bíblia, como que se flutuasse dos escombros, e então ouviu a voz da esposa que dizia: “Denaud, eu estou aqui. Não vá embora”. Depois disso, sozinho, e com as próprias mãos, retirou dali sua mulher e os dois filhos, que agora estão na casa de parentes no interior, como boa parte dos ex-moradores da antiga favela de Trou-Sable.

Nessa rápida turnê, pudemos ver o poder devastador da natureza sobre um país que, histórica e culturalmente, tem sido massacrado por vodu, furacões, tempestades tropicais e ditaduras cruéis. No entanto, talvez nunca na história do Haiti se registrou um cataclismo tão intenso e de proporções inimagináveis. Não se fala em outra coisa que não seja: E agora? Será que esse povo tão acostumado a tragédias vai se reerguer dessa desgraça? O que está sendo feito? O que podemos fazer? O que Deus quer que façamos?”.

Fonte: www.batistas.com

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